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Fator humano: o maior risco para as empresas

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Por Susana Falchi*

Corporações dão pouco valor ao fator humano em suas matrizes de risco. Ao recrutar executivos sem avaliar seu perfil comportamental podem colocar em xeque sua existência. Essa, porém, é a tônica do mercado.

Executivos sempre são contratados com base em seus currículos, enquanto que suas demissões devem-se, em 90% dos casos, a comportamento e não à falta de conhecimento. Isso perdura, mesmo quando o noticiário revela grandes corporações ameaçadas por atos escusos e ilegais de seus líderes.

A última pesquisa Perfil Comportamental dos Executivos, elaborada pela HSD Consultoria em RH e pela Orchestra Soluções Empresariais, demonstra um crescimento do número de executivos que exibem desvio de caráter. De 3.500 profissionais que ocupavam cargos de comando em médias e grandes corporações no país entre os anos de 2014 e 2017, 27% demonstram considerável potencial para desvio de conduta. A pesquisa anterior, de 2013, apontava que 20% de 5 mil avaliações identificavam esse perfil.

A grande maioria dos processos de seleção não identifica desvios de caráter/conduta. Para isso, é preciso lançar mão de um conjunto de ferramentas psicológicas. A avaliação deve ser totalmente técnica, independente da percepção do entrevistando, ficando a cargo dos especialistas em comportamento, que terão o diagnóstico a partir da interpretação dos resultados.

No estudo, são considerados desvios comportamentais características como ambição desmedida, conflitos de interesse em busca de ganhos pessoais, e condutas moral e ética. Dentre os atos praticados por executivos com desvio de caráter figuram maquiagem de resultados, apropriação indébita de valores, manipulação de dados e pessoas e outros que colocam a corporação em xeque.

Mesmo quando tais práticas já foram percebidas, algumas empresas relutam em desligar o executivo, com a justificativa que ele traz resultados. Dessa forma, outras pessoas da organização que sabem deste desvio de conduta transmitem a mensagem de que tudo é permitido, desde que se traga resultados.

Há um estímulo à impunidade. Por ocupar um cargo importante, alguns executivos acreditam que podem tudo e que não serão denunciados. Muita gente acredita que o poder é um salvo-conduto para se fazer o que quiser. A sociedade, de certa forma, endossa isso.

Susana Falchi

*Susana Falchi é responsável pela área de RH da Orchestra Soluções Empresariais

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