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Gestão de pessoas nas empresas em recuperação judicial

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Por Susana Falchi*

O pedido de recuperação judicial da Oi leva a reflexões sobre como ficam os colaboradores de uma empresa em um processo tão complicado. Grandes empresas já passaram por situações semelhantes e conseguiram se recuperar, em grande parte devido ao engajamento de seus funcionários, os que mais sofrem durante todo o processo, que envolve demissões e muito stress.

A recuperação judicial foi criada para substituir a antiga concordata e evitar a falência das empresas. As companhias que recorrerem à lei ficam blindadas de cobranças de credores por 180 dias e deverão elaborar um plano para recuperar a empresa. Esse plano precisa ser aprovado pelos credores e executado com sucesso pela companhia para o processo chegar ao fim. A decisão de encerrar a ação é da Justiça.

A tarefa de reerguer uma empresa envolve, no mínimo, dois grandes desafios: ganhar a confiança dos credores e conseguir mantê-la operante. Muitas empresas em crise interrompem as atividades por falta de caixa e crédito para honrar compromissos básicos como pagar funcionários e comprar matéria-prima. Mas, para manter a empresa operante, é preciso que as pessoas continuem atuando e produzindo, possivelmente mais do que antes, para que se mantenham os serviços prestados com qualidade e a produtividade da empresa. A grande pergunta é: como fazer em meio a atrasos de salários, demissões e ondas de boatos que percorrem os corredores da organização?

Sem dúvida, podemos afirmar que há grandes desafios na gestão de pessoas nesse cenário. O processo envolve demissões para manter a empresa operando. É preciso trabalhar com a estrutura mínima para compatibilizar os custos com momento da organização. E não é nem um pouco fácil selecionar quem fica e quem vai ser demitido. O gestor precisa fazer um mapeamento de perfis, faixa salarial e estabelecer uma política que fique clara para seus colaboradores.

A manutenção da estrutura mínima impõe uma revisão qualitativa das pessoas que permanecem na operação. Além disso, é preciso redefinir a estrutura organizacional e as melhores pessoas para suportar a empresa neste momento se torna vital para a recuperação.

Outra questão crucial durante o processo é que as dificuldades de caixa levam ao parcelamento dos débitos trabalhistas rescisórios, ainda que em prazos menores do que outros credores, o que impacta diretamente a vida dos funcionários demitidos e influencia suas finanças pessoais. Dentro de todo o processo, a empresa em dificuldade prejudica o clima organizacional e impacta na baixa autoestima individual e das equipes de trabalho.

Dessa forma, quem liderar o processo de recuperação terá que ter a capacidade e as competências para unir e turbinar uma equipe fragilizada, desmotivada e desconfiada. E somente um“líder” novo, isento e externo conseguiria fazer isso, pois há a falta de credibilidade do gestor atual que impacta nessa recuperação.

Nesse sentido, a gestão Interina pode ser uma ótima solução, pois traz um profissional altamente qualificado com a missão clara de recuperar a empresa, faz o processo por dois anos. Depois de todo o processo, contrata-se um novo gestor para a empresa que passa a ter uma nova vida.

Susana Falchi

*Susana Falchi é vice-presidente da Orchestra Soluções Empresariais

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