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ABRH-Brasil adere à Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero

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jorgete - coalizao2_Foto - Clovis Fabiano

Lançada na terça-feira (16), na capital paulista, a Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero, promovida pelo Instituto Ethos e pelo Ceert – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, se propõe a ser um espaço de debate, troca de experiências e estímulo à implementação e ao aprimoramento de políticas públicas e práticas empresariais, em um esforço coletivo para superar a discriminação de gênero e raça nas organizações.

Logo no lançamento, organizações de diferentes segmentos aderiram à iniciativa e, com isso, se comprometem a promover inclusão, disseminar a cultura da equidade com fornecedores e prestadores de serviço e, acima de tudo, se propuseram a agir para acelerar o processo de igualdade com ações afirmativas e marketing das boas práticas.

Além da ABRH-Brasil, que participou do lançamento e assinou o termo de adesão por meio de sua diretora de Diversidade Jorgete Leite Lemos, estão Agência Única, Avon, Carrefour, Coca-Cola, Faculdade Montessoriano, Gente Bonita, Integrare, Leão Alimentos e Bebidas, LiDiversas, McDonald´s, Natura, Promon Engenharia, Santo Caos, Simões Advogados, Takao Diálogos, TriCiclos, Verbo Mulher, Walmart e White Martins.

“Hoje nos preocupa o retrocesso em políticas públicas e a necessidade de articular a sociedade civil e o setor privado para promover boas práticas de inclusão, de equidade para uma economia mais justa”, disse Caio Magri, diretor presidente do Instituto Ethos.

Com a troca de experiências de empresas e instituições, uma conclusão foi consenso: sem o envolvimento do CEO e da diretoria, a equidade será lenta. Quem levantou a bandeira foi Theo van der Loo, presidente da Bayer do Brasil. ”Precisamos promover diversidade a partir dos estagiários, fomentar o acesso ao mercado de trabalho. Os CEOs precisam estar engajados, pensar como um negro, ter política salarial igual para homens e mulheres, se colocar no lugar do outro. Precisamos acelerar essa mudança, enfrentar a inclusão e não esperar mais duas, três décadas”, afirmou.

Como um dos apoiadores da Coalizão Empresarial, o Fundo Newton, que investe em projetos de intercâmbio de conhecimento e ações culturais, acredita que o desafio justifica o investimento: “O reconhecimento da diferença, da diversidade é fonte de riqueza e prosperidade”, destacou Diana Daste, gerente sênior da instituição.

“A Coalizão Empresarial é a oportunidade de mostrar boas práticas e provocar as empresas a promover diversidade como estratégia e modelo de negócio”, afirmou Cida Bento, diretora executiva do Ceert.

Números apresentados pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que em 20 anos pouco mudou no país quando se trata de igualdade. “O Brasil está num momento difícil, mas é preciso falar da importância da competitividade, como ter mais mulheres e negros nos Conselhos Administrativos e postos de direção. Para isso é preciso assumir responsabilidades, como a Coalizão Empresarial”, destacou Judith Morrison, assessora principal da Divisão de Gênero e Diversidade do BID.

O Professor Hélio Santos, presidente do board do Baobá – Fundo para Equidade Racial, entidade que mobiliza pessoas e recursos para apoiar projetos em prol da equidade racial, fez várias provocações aos presentes: “Crise é ausência de projeto de nação. Precisamos apostar na excelência de pessoas, nos talentos, criar microcrédito para empreendedores negros, homens e mulheres que ajudem a diminuir as desigualdades de gênero e cor”.

Para alinhar a equidade como política corporativa, as empresas de varejo já mudaram seu marketing, com produtos específicos para a pele negra e publicidade com modelos afrodescendentes, como fez a Avon, Natura, Carrefour, Walmart e Coca-Cola Brasil, além dos bancos.

Foram muitos exemplos de ações afirmativas, mudanças nos paradigmas de seleção e recrutamento e, mais que ações simbólicas, as empresas mostraram estar comprometidas em mobilizar sua cadeia de fornecedores, prestadores de serviço e consumidores para promover diversidade.

“Ao aderir, a ABRH terá como foco o engajamento dos CEOs e o subsídio às empresas para que construam uma base sólida de inclusão. A associação continuará de forma mais contundente ainda a influenciar e agir, convergindo com os princípios da carta de adesão e com o apoio de nossas seccionais no país”, diz Jorgete.

Foto: Clóvis Fabiano