Notícias

Desemprego também aumenta entre aposentados, segundo a Vagas.com

Share Button

O alto e crescente índice de desemprego também afetou a massa mais experiente de trabalho, segundo um levantamento recente sobre aposentados ou em idade para se aposentar realizado pela Vagas.com, empresa tecnologia para recrutamento e seleção. De acordo com a pesquisa, 72% dos participantes afirmaram que estão sem emprego. Em 2012, quando teve sua primeira edição realizada, esse percentual era de 48%.

Para Rafael Urbano, coordenador da pesquisa na Vagas.com, o desemprego também está castigando quem mais poderia contribuir em períodos de dificuldade: “Os profissionais da terceira idade também sentiram na pele a queda nas ofertas de emprego e a procura das empresas por pessoas mais experientes. Essa diminuição do interesse das empresas é reflexo da crise e da falta de novas oportunidades no mercado de trabalho”.

A pesquisa foi feita no período de 13 a 20 de fevereiro, por e-mail enviado a uma amostra de 2.367 profissionais com mais de 60 anos constantes da base de currículos cadastrados no portal de carreira Vagas.com.br. O objetivo é entender o comportamento desse público, como lidam com o mercado de trabalho e quais são suas aspirações. Os respondentes são, na maioria, homens (85%), com idade média de 62 anos, nível superior (44%) e renda de R$ 1.734 a R$ 7.474 (45%).

A pesquisa mostra que 62% estão aposentados. Em 2012, essa mesma massa era de 82%. Do total de respondentes aposentados, 76% não trabalham mais ou estão sem emprego, ante 53% em 2012.

O levantamento procurou investigar com os aposentados que estão sem emprego ou não trabalham (76% da amostra) se eles estão procurando trabalho ou pretendem voltar ao mercado. Quase que a totalidade (99%) acenou positivamente para essa possibilidade.

“Esse interesse pela volta pode ser caracterizado pela queda na renda e consequente necessidade de complementação do orçamento”, avalia Urbano.

Menor demanda
Na era do pleno emprego, as empresas passaram a recorrer aos profissionais mais experientes e qualificados para atender a uma alta demanda do mercado. Hoje, o cenário é adverso. De acordo com a pesquisa, apenas 17% dos aposentados que estão sem emprego ou não trabalham mais receberam alguma proposta de emprego nos últimos três meses. Em 2012, 36% foram sondados para voltar ao trabalho.

O estudo também procurou entender os motivos que estão levando os aposentados desempregados e que não trabalham mais a retornar ao mercado de trabalho: 57% querem ter uma renda extra para complementar o orçamento (em 2012, eram 47%); 15% afirmaram precisar de uma renda extra para pagar dívidas (em 2012, somavam 9%); e  10% pretendem ganhar uma renda extra e poupar dinheiro (7% em 2012).

Essa mesma massa de aposentados desempregados (76%) informou o que pretende fazer caso consiga uma nova oportunidade. 68% aceitam trabalhar em qualquer área, desde que haja oportunidade. Em 2012, 60% apontavam para essa mesma opção. Permanecer na mesma área em que sempre trabalhou representam 25%. Retornar a uma antiga área, 6%. E 2% pretendem atuar em uma área que nunca trabalhou.

Longevidade
De acordo com os resultados da pesquisa, aumentou a quantidade de aposentados que estão sem emprego ou que não trabalham com disposição para trabalhar de 5 a 10 anos: 43% ante 40% na pesquisa anterior (2012). Mais que dobrou aqueles que pretendem continuar no mercado de 10 a 15 anos, saltando de 8% em 2012 para 17% neste ano. Para 19%, até 5 anos é o tempo ideal para continuar na ativa. Representaram 4% aqueles que idealizam trabalhar por mais de 15 anos e, para 19% do total de respondentes, trabalhar até os últimos dias da vida.

Na ativa
O levantamento checou também o comportamento dos aposentados que ainda trabalham (24%). Segundo o estudo, 81% pretendem mudar de emprego. Em 2012, esse grupo era de 80%.

Ao compararmos as pretensões do grupo que está sem emprego ou não trabalha (76%) com a massa dos aposentados que ainda trabalham (24%) sobre o período que ainda pretende trabalhar, o resultado é muito semelhante.  Para os 24% de aposentados que trabalham, a maior parcela vai concentrar seus esforços de 5 a 10 anos (43%). Para 16%, o ideal é de 10 a 15 anos. Até 5 anos é o tempo mais adequado para 15%. De acordo com 22%, até os últimos dias da vida e, 4%, mais de 15 anos.

Na pesquisa com todos os grupos, também foi verificado qual era a pretensão salarial em relação ao último ganho. Aumentou a presença daqueles que querem ganhar a mesma quantia que anteriormente: saltou de 13% em 2012 para 22% em 2017. O grupo que aceita ganhar um pouco menos que antes, também cresceu, passando de 1% em 2012 para 6% neste ano. A turma que busca acréscimo de 50% ou mais também caiu de 36% para 26%. A fatia de 10% a 20% a mais, recuou também, de 14% para 10%. No grupo daqueles que almejam de 21% a 30%, o decréscimo foi 16% para 12%.