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Média de remuneração de estagiários é superior ao salário mínimo

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A mão de obra mais jovem da população está se lançando no mercado de trabalho não só para ganhar experiência profissional, mas, também, para contribuir com o orçamento doméstico e custear os próprios estudos. É o que revela um levantamento da Companhia de Estágios, assessoria especializada em recrutamento e seleção de estagiários.

Segundo a pesquisa O Perfil do candidato a vagas de estágios em 2017, realizada no primeiro semestre com 2.193 jovens de todas as regiões do país, 41% dos estudantes que participam do estágio atualmente recebem um valor equivalente ao salário mínimo nacional (R$ 937,00) e 59% recebem uma bolsa auxílio maior: 29% ganha até R$1.200; 18% recebe até R$1.500 e quase 12% dos jovens possui remuneração acima desse valor.

O levantamento também apontou que 36% daqueles que frequentam instituições privadas arcam com as mensalidades do curso. De acordo com Tiago Mavichian, diretor da recrutadora, no ano passado a demanda por vagas de estágio cresceu 12%, uma tendência que começou em 2014 e vem aumentando ano a ano. “Para dar uma ideia, o número de inscritos de 2015 para 2016 foi muito significativo, pois foram quase 21 mil estudantes a mais, fechando o ano com cerca de 200 mil candidatos a vagas de estágio em todo o país”, contabiliza.

Consequentemente, a concorrência também acompanhou essa tendência: a proporção de candidatos por vaga passou de 48 em 2015 para 66 no último ano, um aumento de 37,5%. Mas, ao contrário do mercado formal, mesmo diante dos percalços da economia, a criação de vagas segue em ritmo mais acelerado que o fechamento de postos.

“Isso comprova que a disputa acirrada não é apenas fruto da redução de vagas, e pode ser influenciada também pela retração da categoria celetista, que se torna ainda mais restrita para quem está ingressando na carreira profissional e ainda não tem experiência”, avalia Mavichian.

Qualificação, um diferencial necessário
Não é preciso ter experiência profissional anterior para ingressar no estágio, esse é um direito assegurado pela lei, afinal, o objetivo do programa é proporcionar um aprendizado contínuo ao estudante para que ele possa colocar em prática tudo o que aprendeu em teoria na sala de aula. Mas outros fatores são levados em consideração pelos contratantes, como a postura do candidato, as atitudes dos profissionais e as habilidades técnicas. Nesse sentido, segundo Mavichian, a qualificação é um fator de peso e compensa a inexperiência do jovem.

“Existem muitas palestras e cursos gratuitos para acompanhar as tendências do mercado, além disso a internet trouxe uma gama de oportunidades para treinamentos e cursos gratuitos, que podem melhorar a capacidade técnica dos estudantes”, orienta.

Segundo ele, atualmente as empresas preferem apostar em colaboradores com muita vontade de aprender, e os jovens possuem esse perfil, prova disso é que a pesquisa revelou que 80,1% dos estudantes têm como principal objetivo adquirir experiência profissional através do estágio. Por isso muitas empresas optam por aderir aos programas de estágio, em detrimento de vagas para profissionais que não acompanham a evolução do mercado, o que também aumenta as possibilidades de uma efetivação ao final do programa.