Por Daniele Avelino

Em seu último relatório sobre diversidade e inclusão a OIT (Organização Internacional do Trabalho) afirma que altos níveis de igualdade, diversidade e inclusão estão associados a mais inovação, produtividade e desempenho, além de recrutamento e retenção de talentos. De acordo com a pesquisa, a diversidade e inclusão têm um “papel crítico no alto desempenho da força de trabalho, empresas, economias e sociedades globalmente”.

No entanto, o relatório aponta que apenas metade das pessoas entrevistadas dizem que a diversidade e inclusão foram suficientemente identificadas e que dispunham de recursos para fomentar essa cultura nos seus locais de trabalho. Atualmente, apenas um terço das empresas mede a inclusão, embora isso seja essencial para o progresso.

Outro dado importante destacado na pesquisa é que uma em quatro pessoas entrevistadas não se sente valorizada no trabalho e as que se sentem incluídas estão em cargos mais altos. O estudo aponta que “se a inclusão continuar sendo um privilégio experimentado apenas por aqueles em níveis seniores, as empresas correm o risco de perder benefícios consideráveis, pois só iremos avançar em um mundo com igualdade de oportunidades para todos, se formos além das cotas. Só deixará de existir as cotas, quando esta prática se tornar parte do nosso dia-a-dia, sem trazer a exclusão e os vieses de cada um”.

Apenas um quarto das pessoas entrevistadas relata que entre 40-60% da alta administração tem mulheres em seus quadros. E um terço disse que não havia pessoas com deficiências no nível sênior. Alguns grupos minoritários também relatam constantemente menos experiências positivas com a inclusão, com tendência a serem agrupados em níveis subalternos.


As discussões que envolvem o tema do ESG determinaram abertamente as estratégias corporativas de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), mostrando os benefícios sociais e resultados financeiros. Sabemos que a diversidade dentro das empresas, já ocorre, o que ainda não acontece é a inclusão. O ponto-chave da inclusão é realmente incluir as pessoas, com suas culturas, e trabalhar o preconceito, reconhecendo a desigualdade, seja ela de qual diversidade a pessoa representa. Times diversos e inclusivos proporcionam experiências que agregam, trazem o senso de pertencimento, a convivência aumenta e permite um aprendizado único. Opiniões diversas de realidades diferentes ajudam a ir além do nosso imaginário.

Cada vez mais as empresas que valorizam a diversidade ajudam a reter os talentos e reduzir o turnover, pois neste contexto a representatividade destas pessoas importam. Isso agrega valor para a marca empregadora, além de ter valor no mundo corporativo.

A mudança que buscamos depende de como estamos construindo esta consciência como sociedade, onde todos têm os mesmos direitos, deveres e oportunidades. Cada ser humano tem seu papel e sua responsabilidade de atuar para que as desigualdades diminuam em todas as esferas sociais. E, para isso, é necessário acima de tudo trabalhar nossos preconceitos, vieses para que estas mudanças ocorram.


Sobre Daniele Avelino

É formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Marketing Digital, iniciou sua carreira na área de RH e Diversidade e Inclusão, em 2018. Daniele tem surdez congênita, diagnóstico médico dado aos seus pais quando ela já tinha quatro anos de idade. Depois de muitos anos de tratamento com fonoaudiólogos, tornou-se surda oralizada. Quando ingressou no mercado de trabalho enfrentou diversos desafios relacionados à Pessoas com Deficiência e após uma demissão em 2016, descobriu seu propósito de vida e desde então segue trabalhando como mentora de profissionais de RH e empresas para promover processos de recrutamento e seleção mais diversos e inclusivos. Em 2021, Daniele foi eleita LinkedIn Top Voice na área de Carreiras, um marco na sua trajetória profissional e pessoal. É embaixadora da Deficiência Tech, primeira comunidade de inclusão de pessoas com deficiência do mercado de tecnologia do Brasil e também mentora e coach de carreiras.