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Cadê o jovem que estava no espelho?

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Por Pablo Aversa*

Ontem estive com um cliente potencial, discutindo os desafios de permanecer competitivo no mercado de trabalho depois dos 45 anos. Ao longo de meus anos como coach executivo, tenho visto inúmeros executivos e gerentes, outrora de sucesso, deixarem a inércia e o status quo cobrarem um ingrato pedágio sobre suas carreiras. E sempre me perguntei: o que será que os acaba despindo de seu espírito empreendedor – que os tornava tão presos à sua forma de pensar –, trazendo à tona o risco de seu talento perder a elasticidade, a flexibilidade e a agilidade tão necessárias para se manter no auge?

De repente, à noite, tive um insight: é o inevitável pedágio que o tempo, a idade e a experiência cobram! A verdade é que estamos todos lutando contra a natureza. Qualquer bom neurologista vai lhe dizer que, com o tempo, nosso cérebro perde sua plasticidade. As vias neurais tornam-se mais fixas. E aí fica mais difícil aprender coisas novas.

É bom ressaltar, no entanto, que isso não é completamente predeterminado. Nem um pouco. Nada o é. E dependerá de lutarmos para escapar desse destino. Esteja consciente do que está enfrentando e – se me permite contribuir nessa batalha – siga estas quatro dicas simples, mas efetivas, para desacelerar o envelhecimento do cérebro e manter a mente jovem e competitiva:

  • Nunca pare de enfrentar seu medo. Todos nós alcançamos um ponto onde passamos a pensar: não deveria ter de continuar a fazer isso, continuar lutando e me desafiando o tempo todo. E é verdade, você não deveria. Mas, a partir do momento em que parar de se desafiar e de enfrentar seus medos, envelhecerá mais rápido. O motivo é simples: o medo faz com que pare de tentar novas coisas e novas ideias.
  • Olhe-se no espelho com frequência e detalhadamente. Não, não estou falando de ficar olhando as marcas esculpidas na sua face. Estou falando de enxergar as marcas esculpidas em sua mente. Se você se conhece bem, olhe para você pelo que você é, e no que está se transformando. Pois, assim, dificilmente vai acordar um belo dia e se dar conta de que a juventude veio e se foi – e você apenas viu o trem passar.
  • Esteja sedento, sempre. É fácil ficar satisfeito onde se encontra e no que se transformou. E isso é especialmente verdadeiro no caso das pessoas bem-sucedidas. Quando isso ocorre, você perde sua vantagem competitiva, seu motor propulsor, sua razão de ser. No fundo, é essa necessidade de provar que é capaz que, quando se é jovem, leva você adiante. É uma força motivadora extremamente poderosa.
  • Lute contra o status quo (especialmente o seu). O maior problema com a experiência e o sucesso é que você começa a pensar que sabe tudo, que tem todas as respostas. Bem, essa não é a lógica com que o mundo dos negócios funciona. O desempenho de ontem não é garantia dos resultados de amanhã. Só porque algo funcionou uma vez, ou mesmo duas vezes, não significa que vai funcionar novamente.

Em suma:
Veja, o problema com o envelhecimento é o mesmo com o mundo dos negócios. Há uma forte analogia aqui. O mundo muda. A tecnologia muda. A concorrência muda. Os mercados mudam. Os líderes mudam. E você tem de mudar também. Não se engane: quando se trata de envelhecer, da mesma forma que num negócio, a inércia é o inimigo número 1. Fique esperto. Mantenha-se flexível e mutável. Isso vai mantê-lo jovem e competitivo.

 

 

* Pablo Aversa é sócio-fundador da Alliance Coaching.

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