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Controles internos e conduta profissional: conflitos e interesses

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Por Marcos Assi*

Acho muito interessante quando sou questionado sobre a eficácia dos controles internos nas organizações, pois sempre que uma falha acontece todos os gestores questionam sobre a eficiência e eficácia dos controles internos, contábeis, compliance, gestão de riscos e até mesmo das auditorias. Mas, onde está a falha?

Um bom sistema de controles internos está baseado nas normas/políticas, procedimentos, sistemas e pessoas, e não quero generalizar, mas em certos casos as pessoas negligenciam as normas, desprezam os procedimentos e burlam o sistema. Desculpem-me todos, mas a conduta profissional deveria ser a base de toda gestão operacional.

Não sou pessimista, mas tento ser um pouco realista, pois acredito que a gestão de controles internos, compliancee risco podem ser melhorados e aprimorados, mas dependem muito da vontade e justamente do tão falado “apetite” de riscos dos administradores, gestores e líderes das organizações. Mas, como fazer? Eis a questão.

De nada adianta realizar mapeamento de processos, identificar necessidades de normas e procedimentos, manuais, segurança da informação, elaborar matrizes de riscos operacionais, avaliar a necessidade de planos de contingência e de continuidade, políticas de limites operacionais, processo de avaliação, análise e liberação de crédito, sem antes entender o negócio e obter a conscientização e apoio da alta administração. Parece brincadeira, mas todos nós já sabemos disso, entretanto, não é isso que acontece na prática.

Acredito que podemos mudar por meio de um choque de gestão, afinal muitas regras são implantadas e parece que as exceções e as burlas nas regras vêm anexas ao processo. Desculpem o sarcasmo, mas muitos dos problemas gerados são ocasionados por nós mesmos, profissionais das organizações. Portanto, conduta ética e profissional tem limites? Acredito que não, mas quantos problemas gerados nas organizações acontecem desta forma?

A cada dia os órgãos reguladores solicitam mais e mais controles e não têm recursos suficientes para a supervisão. Como solucionar isso? Justamente com a implementação de modelos de gestão de controles e compliance nas organizações. Infelizmente, neste país a impunidade ainda é superior aos números de prisões realizadas por gestão fraudulenta, crimes contra o sistema financeiro, fraudes contábeis, sonegação fiscal e pirâmides financeiras.

Podemos citar alguns exemplos de que o crime não compensa em outros países, como os gestores da Enron, o CFO Andrew Fastow e os CEOs Jeff Skilling e Ken Lay, indiciados em 2004 por suas participações da fraude. Temos o Bernard John “Bernie” Ebbers, preso por fraude, conspiração e emissão de documentos falsos na Worldcom; o esquema de pirâmide financeira do fundo do Bernard Madoff, enfim, são casos de empresários que foram e continuam presos por ausência de conduta ética e profissional.

Portanto, acredito que devemos buscar melhorias por meio das regras e das sanções, pois a avaliação de conduta e ética ainda está sob o conflito de interesses das pessoas que têm como reponsabilidade a gestão de algumas corporações. Muita coisa está mudando, é verdade, mas ainda existem pessoas com interesses e necessidades “diferenciadas” nos processos, pense nisso.

 

*Marcos Assi é consultor da Massi Consultoria.

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