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Mais que um trabalho, uma transformação em sua vida

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Por Diego Torres Martins*

A minha história de empreendedorismo está muito ligada com o que eu esperava de uma carreira no mundo corporativo. Sempre acreditei que as pessoas poderiam ser felizes no ambiente de trabalho e, por isso, almejei ser presidente de uma grande empresa, para que nela houvesse uma gestão interna diferenciada e totalmente voltada às pessoas. Esse sonho surgiu depois de algumas experiências no mercado de trabalho, no qual desde muito jovem, aos 20 anos, eu já atuava como consultor em grandes companhias. Dentro delas, me deparava em duas realidades distintas: a corporativa e a interpessoal.

A primeira diz respeito a como as pessoas agiam dentro das salas de reuniões, nos corredores ou em eventos (sempre uns elogiando aos outros). Isso me parecia um tanto quanto real, até que, em diversas oportunidades, as mesmas pessoas criticavam ou questionavam negativamente os projetos que haviam aprovado. Tais atitudes sempre me impressionavam, talvez pela minha falta de experiência no mercado até então, e me faziam questionar o caráter das pessoas dentro das organizações.

Nessa mesma época, fiz uma conta muito simples para saber quanto tempo útil eu passava no ambiente de trabalho (lembro-me que o resultado foi algo próximo dos 70%). Desde aquele momento, refleti que, definitivamente, não queria passar o maior tempo da minha vida em um lugar onde as relações seriam, na maioria, artificiais, além de me sentir infeliz naquele espaço.

Foi assim que decidi que seria presidente de uma grande companhia. Para realizar tal sonho, vi que precisaria, no mínimo, de uns 18 anos para chegar ao cargo, levando em conta o modelo tradicional de empresa no Brasil.

Naquele momento, ao saber que seria uma grande espera, decidi criar uma companhia diferente, com uma gestão de pessoas eficiente e voltada aos funcionários. Na minha empresa existiriam relações verdadeiras e um ambiente no qual as pessoas se sentiriam nas próprias casas.

Assim, antes de pensar em um negócio no qual atuaria, eu sabia que eu queria uma empresa inovadora, algo como as companhias que surgiram no Vale do Silício, nos EUA, na década de 1990. Com forte inspiração na Google, fundei uma empresa que, há seis anos, começou do zero e hoje vale mais de 100 milhões de reais. O crescimento, rápido e contínuo, e o sucesso dessa companhia foram resultados atribuídos, principalmente, às pessoas.

Após três anos no mercado, vimos que uma maneira de continuar crescendo e inovando, além de alcançar o objetivo de ser uma empresa referência em gestão de pessoas (primeiramente no Brasil e depois no mundo) não estava apenas em motivar e oferecer benefícios aos colaboradores e, sim, em impactar a vida das pessoas.

Ao longo dos últimos dois anos, refletimos e, cada vez mais, vimos o conceito de roda da vida sendo pensado e implementado dentro da empresa. Afinal, somos pessoas, por isso devemos ter um equilíbrio em todas as partes de nossa vida. Dessa maneira, devemos conciliar vida profissional, com a vida pessoal, relacionamento com amigos e familiares. Para que isso ocorra dentro de uma empresa é preciso impactar, não só alguns, mas todos os ângulos da vida dos indivíduos que trabalham conosco.

Assim, hoje, dentro da companhia temos 23 programas de valores para toda a equipe, desde a copeira até o presidente. São programas gratuitos e todos com a finalidade de impactar a vida das pessoas como um todo, envolvendo ações para o desenvolvimento pessoal e profissional, contemplando também ações para o lazer, saúde, relacionamento familiar, bem-estar, relacionamento social e experiências inovadoras. Neste último fazemos não só com funcionários, como também com clientes e prospects. As experiências podem surgir de ações simples, como aulas e degustação da gastronomia, como ações mais complexas, vide viagens nacionais e internacionais, com o objetivo de agregar cultura aos indivíduos.

O importante é não “fazer por fazer” e, sim, ter um comprometimento genuíno com as pessoas, algo que é percebido e respeitado por todos. Desde que descobrimos esta “fórmula” conseguimos medir o sucesso em nossos resultados, tanto de faturamento quanto de crescimento e, o mais importante, os resultados no nível de satisfação dos funcionários (com premiações do instituto Great Place To Work) e dos clientes (através das pesquisas das áreas de atendimento ao cliente – SAC).

Acredito que esta visão de gestão de pessoas, que há algum tempo é realidade em empresas de tecnologia norte-americanas, está ficando mais em evidência no País. Dessa maneira, queremos propagar esta visão, além de mostrar que as empresas brasileiras possuem grande potencial e qualidade para se tornarem referências mundiais em gestão de pessoas. É nisso que acreditamos e é isso que iremos buscar.

 

*Diego Torres Martins é presidente da Acesso Digital

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