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Estatais brasileiras estão mais maduras nas práticas de governança

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laptop-3196481_Aymanjed_PixabayBoas práticas de governança fazem cada vez mais parte da pauta executiva das estatais brasileiras. Porém, é necessário avaliar como essas empresas estão se preparando nesse sentindo. Para tanto, a Deloitte, em parceria com o Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil), realizou a pesquisa Governança em empresas estatais – Desafios e estratégias para adequação aos requerimentos da Lei nº 13.303, que buscou mapear como as estatais vêm se ajustando à nova realidade proveniente da lei. O prazo de adaptação à lei termina neste sábado (30).

Participaram 77 empresas estatais, nos âmbitos federal, estadual e municipal. Mais de 60% dos profissionais participantes são de nível hierárquico decisório, como superintendente, diretor ou presidente. O estudo mostra que, de modo geral, as estatais brasileiras passam por um processo de amadurecimento, implementando diferentes ferramentas de governança. Contudo, ainda possuem um caminho de aprimoramento a ser cumprido.

Um dos principais indicadores demonstra que cerca de 80% estão suportadas por um plano estruturado e formalizado para o atendimento aos requisitos da nova legislação. Porém, embora 90% das entrevistadas acreditem que estarão adequadas aos termos até a data estipulada, 60% ainda esperam mudanças nos níveis executivos e em sua estrutura organizacional em função das restrições existentes na Lei – entre as novas regras destacam‑se pré-requisitos para nomeação de posições C-Level.

TREINAMENTO, UM GRANDE DESAFIO
Um dos destaques é que para mais da metade o maior desafio nesse processo está no treinamento e capacitação das pessoas envolvidas. Chama a atenção, nesse quesito, o alto percentual (32%) de organizações que declararam sequer perceber desafios ou barreiras relevantes nesse processo.

“Sem dúvida, o primeiro desafio é em relação ao treinamento e capacitação dos envolvidos, além de riscos de controle”, afirma Paulo Vitale, sócio da área de Risk Advisory da Deloitte.

Outro ponto da pesquisa revela que 40% ainda não dispõem de uma área responsável especificamente pelas atividades de gestão de riscos e conformidade que atue de modo abrangente e independente. Já entre as empresas que contam com esse departamento, mais da metade destacou que a área produz avaliação apenas parcial dos riscos associados às suas atividades – somente 37% se declararam plenamente capazes de antecipar temas relevantes e críticos, que possam representar oportunidades e ameaças.

“É necessária a coordenação entre o conselho de administração, o comitê de auditoria, a diretoria executiva e os gestores diretamente responsáveis pelos processos de negócio e áreas de gerenciamento de riscos, conformidade e auditoria interna. É essencial contar com recursos financeiros suficientes e profissionais bem preparados e plenamente alinhados à estratégia da organização”, ressalta Marcelo Fridori, diretor do IIA Brasil.

CONTROLES INTERNOS
No que se refere a controles internos, mais da metade das empresas indicou ter uma área especifica para esse fim. Os respondentes consideram que os aspectos de finanças e contabilidade representam atualmente o principal foco da área. Aspectos relacionados à gestão, operação e conformidade também são lembrados, mas apresentam espaço para crescer.

O destaque ficou por conta do número elevado de respondentes que consideram inadequadas as avaliações dos controles relacionados ao ambiente de tecnologia e sistemas de informação, mesmo diante da crescente importância destes aspectos para amparar decisões de negócios.

“Mais importante do que as possíveis punições, as empresas precisam se conscientizar de que a adaptação à Lei é positiva. O seu cumprimento traz benefícios para as companhias, promovendo a transparência e atraindo investimentos”, destaca Vitale. “São empresas com diferentes níveis de maturidade. Então, também é preciso preparar os envolvidos para trabalharem de formas diferentes”, finaliza.

Foto: Aymanjed/Pixabay