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Executivos brasileiros são os mais confiantes na América Latina com taxa de desemprego

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Estudo aponta otimismo com a economia

A troca de comando no país e a sensação de um ambiente de negócios mais favorável geraram uma onda de otimismo nos empresários brasileiros, de acordo com o Estudo de Perspectivas Econômicas e Profissionais da América Latina 2019, desenvolvido pela consultoria PageGroup entre novembro e dezembro de 2018. De acordo com a pesquisa, o Brasil aparece como o país mais confiante da América Latina em relação à queda da taxa de desemprego (79%), redução do câmbio (59%) e aumento do PIB (82%).

De acordo com Patrick Hollard, diretor executivo do PageGroup para Latam, África e Oriente Médio, a divulgação dos mais recentes indicadores econômicos aliada à posse do novo governo criaram um clima favorável para novos negócios e contratação de executivos no país.

“O conjunto de boas notícias proporciona mais e melhores tomadas de decisões. Esse cenário propício do Brasil já tem refletido em novas contratações em todos os níveis hierárquicos. Não víamos um grande volume de posições desde 2016 e agora esse movimento voltou a acontecer de forma bem consistente e orgânica, o que demonstra que os empresários estão se preparando para a expansão de suas atividades”, analisa.

O levantamento foi realizado com 29 mil profissionais que ocupam cargos de gestão no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México.

Otimismo argentino
A Argentina está com o nível de otimismo mais elevado quando o assunto é inflação e taxa de juros. De acordo com a pesquisa, 82% acreditam que a inflação deste ano será menor que em 2018. A mesma percepção vale para a taxa de juros: 73% estão confiantes em encargos menores para esse indicador econômico.

Em outros países da região, como México e Colômbia, a avaliação dos executivos é um pouco mais conservadora e, em alguns casos, até mais pessimista. No México, 81% apostam que a taxa de juros será mais alta neste ano como a inflação (68%) e o PIB, menor (43%). Entre os colombianos, 64% apontam que a taxa de câmbio deve ser maior que em 2018. Os argentinos acreditam que o índice de desemprego também será maior: 41% flertam com essa possibilidade.

Governos com maior confiança do empresariado
O levantamento, que procurou entender como está a confiança dos executivos em relação aos seus líderes governamentais, revela credibilidade em alta para os novos presidentes do Chile, Brasil e Colômbia: 90% dos respondentes chilenos estão confiantes no governo de Sebastían Piñera; o Brasil aparece na sequência, com 77% de confiança na gestão Jair Bolsonaro; e, depois, 62% de colombianos apostando na administração de Iván Duque.

Se por um lado há um certo tom de otimismo com o rumo do governo de algumas nações da América Latina, a desconfiança também paira por outros países da região. É o que foi identificado nos casos do México (86%), Peru (75%) e Argentina (65%).  Na média geral capturada pelo estudo, a confiança sobre os governos é de 56%.

Orçamento para investimentos estão em alta na região
O Estudo de Perspectivas Econômicas e Profissionais da América Latina 2019 traz uma boa notícia: o orçamento destinado a novos investimentos é maior neste ano. A pesquisa aponta que 45% dos executivos na região têm orçamento maior para investimentos neste ano. “Esta é uma tendência que vem subindo desde nossa consulta em 2015, que mostra­va que apenas 33% dos executivos na região dispunham de tal recurso, sen­do seguidos por 35% em 2017”, avalia Patrick Hollard.

Peru, Chile e Brasil despontam na liderança para investimentos maiores na região em 2019, contrastando com a Colômbia e México.

As novas contratações também estão no radar dos gestores. Para 56% dos executivos entrevistados, há planos de expansão do quadro de funcionários em 2019. Essas posições serão destinadas às áreas de Vendas (51%), Operações (45%) e Tecnologia & Inovação (23%).

“O Peru e o México também passam por movimentos de expansão de sua atividade econômica. Com essa melhora, o otimismo aumenta e mais decisões precisam ser tomadas, passando obrigatoriamente por novos investimentos e contratações”, explica Patrick Hollard.

Intenção de mais investimentos em relação ao ano anterior
2015 – 30%
2016 – 36%
2017 – 39%
2018 – 50%
2019 – 45%

Planos de novas contratações (em %)
2015 – 60%
2016 – 63%
2017 – 39%
2018 – 52%
2019 – 56%

CENÁRIO DOS GESTORES

Ainda de acordo com o estudo, entre os maiores desafios para elencados pelos entrevistados para cumprirem suas metas para este ano estão a criação de um mindset de mudança e progresso em seus colaboradores como o seu maior desafio (38%), seguido pela otimização da performance de suas companhias (37%), e otimização dos custos (36%) em suas sucursais como a principal batalha a ser enfrentada nos próximos 12 meses.

As características mais procuradas
O estudo procurou descobrir junto aos executivos quais são as características mais buscadas na hora de efetuar uma contratação. Entre as mais procuradas estão a de tomador de decisão (56%) e a de solucionador de problemas (52%). “São esses colaboradores que não são represados por quaisquer instâncias e que, principalmente aos olhos da alta direção, são capazes de expor ações que impactam diretamente em gargalos nos setores”, justifica Patrick Hollard. “Indivíduos com capacidade analítica, estratégica e tática, claramente, saem na frente e têm a chance de rentabilizar oportunidades mesmo em mercados menos maduros ou instáveis”, completa o diretor executivo.

Contratar continua sendo um imenso desafio para a maioria dos executivos da região. Para 56% dos entrevistados, a falta de gente qualificada é a maior dificuldade no momento de contratar um executivo para cargos de alta e média gerência. Em seguida, está a falta de fidelidade desses profissionais com seus vínculos empregatícios (26%).

Outro aspecto que pesa muito na administração de talentos é o aspecto da retenção. De acordo com as respostas de aproximadamente 10 mil executivos em posições efetivas de gerência e direção, cerca de 80% afirmaram ter planos de trocar de emprego durante 2019 e 46% deles desejam efetuar essa transição ainda no primeiro semestre do ano.

Remunerações e benefícios como política de retenção
Outro aspecto investigado no estudo referiu-se à política de remuneração e benefício concedido pelas empresas. O principal motivo apurado para buscar novos ares é a insatisfação com o salário. Cerca de 35% dos executivos entrevistados afirmaram não acreditar que sua remuneração está adequada às responsabilidades que exercem hoje. Destes, os que receberam um reajuste ou aumento salarial entre os últimos 12 e 18 meses são os mais

Atualmente, de acordo com 16% dos respondentes, as maiores barreiras para a movimentação estão na má situação econômica dos países em que atuam e o baixo volume de oportunidades atraentes. Entretanto, além dos salários (ponto fundamental para 24%), esses executivos de média e alta gerência veem como chamariz as posições com desafios mais arrojados (18%), ligados à inovação e experiências ainda inéditas.