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75% dos brasileiros mentem em seus currículos

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Salário anterior e fluência em inglês são mentiras mais frequentes

Helloquence/Unsplash

Com a escassez de oportunidades de emprego e o aumento da competitividade no mercado de trabalho, muitos profissionais recorrem a práticas impróprias, como inserir dados falsos no currículo a fim de ganhar destaque. Um levantamento feito pela DNA Outplacement apontou que 75% dos currículos enviados ao RH das empresas em 2018 no Brasil continham informações distorcidas.
Realizada durante seis meses com 500 empresas, a pesquisa revela quais as principais mentiras encontradas nos currículos: valor do salário atual – ou recebido no último emprego (48%) e fluência no inglês (41%). O tempo inativo e o grau de escolaridade e cursos realizados são outros tópicos deturpados nos currículos, por 12% e 10% dos profissionais, respectivamente.

O estudo identificou que a prática é comum tanto entre quem está entrando no mercado de trabalho quanto entre os que possuem carreira consolidada e estão em processo de recolocação.

“As razões são diferentes, mas ocorre entre os diversos níveis profissionais. Os jovens normalmente não colocam tanto peso na elaboração de seu currículo, enquanto executivos e gerentes se agarram à urgência em conseguir uma nova oportunidade para cometer essa irregularidade”, explica Hugo Liguori, diretor regional da DNA.

Ele ainda reforça que a perda de credibilidade e o nome “manchado” no mercado são alguns dos prejuízos, caso um head hunter ou departamento de RH descubra os dados falsos no documento – o que vai dificultar ainda mais a procura por uma nova ocupação e será uma marca irreversível na carreira.

E não são apenas os brasileiros que têm esse hábito. A DNA fez o mesmo levantamento em outros países da América do Sul e constatou que a frequência de informações mentirosas nos currículos é de 85% na Colômbia, 78% no Peru e 72% no Chile.

FERRAMENTAS CONTRA CURRÍCULOS FAKE
Do outro lado da história, as empresas têm incorporado no dia a dia ferramentas e estratégias que ajudam a detectar competências técnicas e soft skills (traços da personalidade) durante o processo de recrutamento e evitar contratar os mentirosos.

“Um exemplo é o assessment, questionário muito utilizado para identificar conhecimentos, habilidades e atitudes dos candidatos para desempenhar o cargo e que também os ajuda no autoconhecimento, identificando pontos fortes e fracos para desenvolver ao longo da vida profissional”, diz Liguori.