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Candidatos a estágio valorizam mais aprendizado do que remuneração

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Uma pesquisa realizada pela Companhia de Estágios com mais de 1,7 mil entrevistados em todas as regiões do país, revelou que, especialmente entre os jovens que possuem pouca ou nenhuma experiência, conseguir uma boa colocação no mundo do trabalho vai muito além de ganhar um bom salário.

Segundo o levantamento, eles estão mais preocupados com ao sucesso da carreira e a realização profissional, colocando a remuneração em segundo plano: 62,8% dos candidatos têm como maior expectativa o aprendizado e esperam encontrar um ambiente desafiador, que lhes propicie vivência em sua área de conhecimento. O principal contraste é que apenas 3,2% deles apontam a remuneração e ganho de recursos para manutenção da faculdade como principal objetivo no programa de estágio.

De acordo com Tiago Mavichian, diretor da consultoria, isso reflete a consciência do candidato em relação ao seu planejamento de carreira. “Por ser um programa relativamente curto, de dois anos no máximo, os estudantes têm a oportunidade de passar por um período de aprendizado intenso e buscar melhor remuneração posteriormente, especialmente através da efetivação”, salienta.

Revisão de prioridade
Além de ir ao encontro do objetivo do estágio, a priorização do aprendizado também reflete a crise do emprego vivida no país. Se antes, com a abundância de vagas, os candidatos tinham a oportunidade de escolher entre aquelas com melhor remuneração, atualmente a queda na oferta desse tipo de programa e o crescente número de candidatos fizeram com que as prioridades fossem repensadas.

“Empresas com programas mais estruturados e com mais peso no mercado representam maior estabilidade e mais chances de efetivação ao fim do programa. Diante disso, antes de analisar o valor da bolsa-auxílio, o candidato passa a avaliar o impacto que aquela empresa trará ao seu currículo e à sua experiência profissional”, explica Mavichian.

E essa tendência também é, de uma forma geral, reflexo do encolhimento da economia: com a oferta salarial reduzida em todos os setores produtivos do país, é natural que os candidatos passem a consideram outros diferenciais nas vagas, especialmente no caso de programas de estágios, onde por natureza o principal objetivo é buscar aprender e se desenvolver para no futuro ganhar mais.

Relevância
Para esses jovens, a realização profissional está muito mais ligada à fazer algo relevante e inovador do que simplesmente trabalhar e receber um bom salário. A maioria deles afirmou que não mudaria de área mesmo se tivesse recursos suficientes para tal e 34,9% topariam até mesmo ganhar menos, se o aprendizado fosse intenso e constante.

Isso não significa que esses candidatos estejam apenas se sujeitando às dificuldades do mercado: segundo o levantamento, dentre os que já conseguiram uma vaga e estão participando de um programa de estágio, a taxa de satisfação é alta, mesmo contando com uma bolsa-auxílio de até um salário mínimo (R$ 880,00) em sua maioria.

Isso se deve ao fato de que esses candidatos não aguardam a colocação dentro de uma empresa para começar a desenvolver seu plano de carreira: cerca de 700 deles fizeram algum curso complementar no último ano.

Reflexo disso é que, no ranking das empresas onde os candidatos mais almejam conquistar uma vaga de estágio, é possível notar diversas gigantes da tecnologia e indústria, conhecidas por adotarem programas diferenciados, com alta valorização profissional e planos de carreira bem alinhados.

Essas empresas, na maioria, possuem o ambiente que o candidato espera encontrar: desafiador, com ações de impacto global e responsabilidade social. Não é à toa que Google liderou a preferência dos candidatos à estagio, horários flexíveis e oportunidade de participar de processos inovadores estão entre os principais desejos dos entrevistados.

De acordo com o diretor da Companhia de Estágios, o fator satisfação também está ligado à eficácia dos processos seletivos.

“A pesquisa aponta que a principal frustração dentro de um estágio está ligada à atribuição de atividades que não condizem com a sua área de conhecimento, gerando baixo aprendizado e frustração. O direcionamento correto do candidato à vaga também é fator de sucesso no programa, pois um candidato mal colocado é um candidato insatisfeito.”