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CFOs latino-americanos são os mais otimistas em relação a 2013

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Os CFOs (Chief Financial Officer) da América Latina continuam sendo os mais otimistas do mundo com relação às economias de seus países. É o que apontou a última pesquisa trimestral Panorama Global dos Negócios (CFO Survey – Global Business Outlook). No entanto, existe uma tendência à redução no otimismo.

Conduzida pela Duke University, Fundação Getulio Vargas e CFO Magazine com o apoio da BMFBovespa e do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), a pesquisa foi concluída no dia 31 de maio e teve a participação de 1.112 CFOs (responsável pelas decisões financeiras das empresas) de todo o mundo. Do total, 280 são latino-americanos e, dentre eles, 46 são brasileiros.

Em uma escala de 0 a 100, os CFOs do Brasil atribuíram nota 61,4 para o seu otimismo com relação à economia brasileira, número levemente inferior ao do trimestre anterior (63,5). Já os CFOs da América Latina em geral atribuem 66 para o seu otimismo com relação às economias de seus países, contra 69 no último trimestre. No continente, o México continua sendo o mais otimista com 70,7, seguido de Chile (69,3), Colômbia (68,8) e Peru (66,8). Os CFOs argentinos vêm se mantendo como os menos otimistas: 37,5.

Nos Estados Unidos, o índice atingiu 60,8; na Europa, 53,2; e, na Ásia, 60,8. O otimismo norte-americano vem crescendo de modo consistente, uma vez que, nos trimestres anteriores, o índice foi de 50,7 e 55,3.

“Esse aumento é muito importante porque sugere que o país está no rumo da retomada do crescimento – deve crescer pelo segundo ano consecutivo depois de vários anos de estagnação. Talvez por essa razão os seus parceiros econômicos da América Latina estejam tão otimistas,” justifica John Graham, professor de Finanças da Duke University e coordenador da pesquisa. “Esse otimismo é ainda mais justificável uma vez que a Ásia tem mantido o crescimento e os EUA devem crescer pelo segundo ano consecutivo.”

Um importante elemento para justificar tamanho otimismo é a previsão feita pelos CFOs brasileiros de 15% para o crescimento das receitas durante os próximos 12 meses e de 20% para os lucros.

 

Mais terceirizados e temporários

Entretanto, caiu a expectativa de aumento de empregados em tempo integral – espera-se um aumento médio de 2,7% para os próximos 12 meses, enquanto nos trimestre anterior as projeções eram de 3,9% e 3,3%. Por outro lado, consolidou-se a tendência de crescimento do trabalho temporário e terceirizado: noss dois últimos trimestres, foi observada a tendência de aumento de 2,7% e 3,9% para os temporário e 1,7% e 3% para terceirizados.

“O emprego em tempo integral vem crescendo há vários trimestres. E ao longo deste período a projeção de uso de emprego temporário e terceirizado vinha decrescendo. Simultaneamente, observamos que as empresas estão reduzindo a previsão de investimentos. Assim, em um cenário de incerteza quando ao crescimento, parece que estão sendo mais cautelosas e preferindo substituir emprego em tempo integral por emprego temporário e terceirizado”, comenta Gledson Carvalho, professor de Finanças da FGV e codiretor da pesquisa.

A projeção é de que os salários passem a crescer a uma taxa maior (8% neste trimestre contra 5,9% e 7,1% nos trimestres anteriores). Esse aumento possivelmente reflete uma maior taxa de inflação.

As principais preocupações internas das empresas brasileiras continuam sendo a manutenção de margens e a contratação e manutenção de funcionários qualificados. Já quanto à economia, as preocupações focam-se na demanda, no código tributário e na inflação.

 

Corrupção, um capítulo à parte no Brasil

Para o Brasil, a corrupção tem um efeito significante sobre a economia: 57% apontam que ela prejudica seus negócios. Esse padrão é alto mesmo para a América Latina onde a média geral é 33% (Colômbia 53%, México 38%, Peru 32% e Chile 6%). O cenário é bem diferente nos Estados Unidos e Europa onde corrupção é apontada como um problema para 6% e 16%, respectivamente.