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Jovens têm menor chance de serem contratados e maior de serem demitidos

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Estudo do Ipea mostra retração de 1,3% no emprego para esse grupo

Uslikajme/Pixabay

Atualmente, o Brasil conta com 12,7 milhões de desempregados, que têm permanecido cada vez mais tempo nessa situação e os mais jovens continuam a ser os mais afetados. Além de registrar uma retração de 1,3% na ocupação no último trimestre móvel (novembro a janeiro), o grupo entre 18 e 24 anos é o que tem menor probabilidade de ser contratado e maior chance de ser demitido. Os dados constam na seção Mercado de Trabalho da Carta de Conjuntura divulgada nesta quarta-feira, 20, pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Os cálculos são feitos a partir dos dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE, e do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda.

Após iniciar 2018 com sinais de dinamismo, avançando 2,0% em termos interanuais, o crescimento da população ocupada desacelerou, de modo que, no trimestre móvel o aumento observado foi de 0,9%. A análise mostra que o mercado de trabalho não vem apresentando melhora substancial: sua retomada ocorre, basicamente, nos setores informais da economia e, dos postos de trabalho formais, um em cada quatro empregos criados são contratos em tempo parcial ou intermitentes. O ritmo de criação de novas vagas formais vem perdendo fôlego nos últimos meses, considerando tanto os dados da Pnad Contínua, quando os do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego). Além disso, o grupo dos desalentados e dos subocupados continua crescendo.

Essa lenta recuperação do mercado de trabalho – traduzida na manutenção de uma taxa de desemprego alta e persistente, principalmente entre os menos escolarizados – vem gerando aumento no número de domicílios que declararam não possuir renda de trabalho e nos domicílios de renda de trabalho muito baixa. O Brasil registrou cerca de 16 milhões de casas sem renda proveniente do trabalho no último trimestre de 2018, o que equivale a 22,2% das quase 72 milhões de residências no país. No último trimestre de 2017, a proporção era de 21,5%. O número é o maior para o período em seis anos e superior ao registrado antes da recessão do final de 2013 (18,6%).

“Essas famílias até podem possuir outra renda, como aposentadoria ou proveniente de programas sociais, mas nenhuma fruto do trabalho”, explica Maria Andréia Lameiras, pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea e coautora do estudo com os pesquisadores Carlos Henrique Leite Corseuil, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, e Sandro Sacchet de Carvalho.

A proporção dos domicílios de renda mais alta (superior a R$ 16 mil por mês) avançou levemente na comparação do último trimestre de 2017 com o mesmo período de 2018: de 2% para 2,1%, respectivamente, apesar de terem recuado em relação a anos anteriores. Já as fatias de domicílios de renda baixa (até R$ 2.396,57) e média (de R$ 2.396,57 até R$ 16 mil) mantiveram-se estáveis em 42% e 35%, respectivamente. Em relação aos salários, mesmo com o crescimento da renda dos mais pobres, desde o início de 2018 a renda dos mais ricos cresceu três vezes mais. A média da renda média domiciliar dos mais pobres variou 0,84% no período, enquanto que a dos mais ricos cresceu 2,6%.