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A visão dos latino-americanos sobre envelhecimento é tema de pesquisas

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A importância de adotar medidas preventivas de saúde para envelhecer bem está mais clara para os brasileiros do que para outros povos da América Latina, de acordo com o cruzamento de dados entre duas pesquisas recentes realizadas pela Pfizer para conhecer a percepção das diversas sociedades a respeito da maturidade.

Com o objetivo de estimular uma conversa franca e bem-humorada sobre o tema no país, a pesquisa brasileira faz parte da campanha Envelhecer sem Vergonha – Qualidade de vida não tem idade, lançada pela Pfizer no Brasil em 2015. Conduzido pelo Instituto Qualibest, o levantamento entrevistou 989 pessoas de todas as regiões do Brasil.

Já o segundo levantamento, ainda inédito, foi realizado pelo Instituto Nielsen com 2.165 pessoas em sete países da América Latina: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México e Peru. Nesse grupo, a segurança financeira aparece em primeiro lugar, em média, entre os itens considerados mais importantes para envelhecer bem; os cuidados preventivos com a saúde estão em quarto lugar entre as prioridades desses países, mas assumem a primeira colocação entre os brasileiros, que também valorizam a dieta saudável e a prática de exercícios, como demonstra o quadro abaixo:

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Nos questionamentos que projetam as expectativas para a maturidade, novamente a preocupação do brasileiro com a saúde se destaca. Convidados a se imaginar na velhice, 77% dos latino-americanos responderam que gostariam de estar perto da família nesse momento. Já entre os brasileiros, o principal desejo foi chegar à terceira idade com saúde, escolha de  75% dos entrevistados. A proximidade com a família foi lembrada por 70% dos brasileiros, considerando que era possível escolher mais de uma alternativa.

Quando perguntados sobre os itens mais importantes de sua vida no momento atual, 73% dos latino-americanos citaram a saúde, mas essa porcentagem foi ainda maior no Brasil, chegando a 76%. Outros aspectos valorizados pelo grupo de países latino-americanos foram segurança financeira, citada por 64% dos participantes, e paz de espírito, lembrada por 49%.

Principais temores
A comparação entre as duas pesquisas também evidencia que os brasileiros são os que mais temem a solidão no fim da vida. Esse receio foi declarado por 57% dos entrevistados, enquanto a média no grupo de países foi de 35%.

“Há no Brasil uma tendência ao narcisismo, pois cultuamos muito a aparência, a juventude. Para alguns, dizer que alguém é velho pode soar até como ofensa. Então, esse medo da solidão se traduz pelo receio de não ser notado, de não ser visto pelo outro no fim da vida, quando já não se tem as características da juventude que a nossa sociedade tanto valoriza”, analisa a psiquiatra Rita Cecília Ferreira, responsável pelo Programa da Terceira Idade do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP).

Em ambas as pesquisas os problemas de saúde foram a principal preocupação demonstrada pelos entrevistados. Essa opção foi assinalada por 77% dos brasileiros, chegando a 75% no grupo dos países latino-americanos analisados. A possibilidade de desenvolver limitações físicas e os problemas de memória foram outros temores muito lembrados.

Os receios associados à maturidade estão, muitas vezes, relacionados a uma percepção negativa da velhice que esses indivíduos verificam em seu próprio ambiente. Em todos os países analisados, a maioria dos indivíduos ouvidos acredita, por exemplo, que a sociedade e o governo dispensam pior tratamento às gerações mais velhas na comparação com as mais jovens. No Brasil, essa percepção abrange mais de quatro a cada dez entrevistados.

Vida longa
Apesar de esboçar temores em relação ao envelhecimento, o brasileiro espera viver muito, ultrapassando a expectativa de vida atual do País, que é de 74,9 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, 35% dos entrevistados pela pesquisa desejam chegar à faixa etária que vai dos 86 aos 95 anos.

Entre os outros países latino-americanos avaliados, costarriquenhos (36%) e chilenos (38%) são os que querem viver mais, entre 81 e 90 anos de idade. Em média, 8% dos latino-americanos ouvidos esperam passar dos 100 anos, enquanto no Brasil 23% dos entrevistados gostariam que a vida se prolongasse dos 96 aos 120 anos.

A campanha
A campanha Envelhecer Sem Vergonha – Qualidade de vida não tem idade faz parte de uma iniciativa global da Pfizer lançada em 2012, nos Estados Unidos. Intitulado Get Old, esse movimento reuniu especialistas e diversas organizações para compartilhar diferentes abordagens sobre o envelhecimento, incluindo mudanças no estilo de vida, com o objetivo de ajudar as pessoas em seu processo de amadurecimento.

No Brasil, a iniciativa foi lançada em 2015 e recebeu uma identidade diferente, totalmente alinhada com o espírito irreverente e criativo do brasileiro.

“Ao discutir o envelhecimento de um jeito leve e divertido, o objetivo da Pfizer é ajudar a dissipar os temores da população em relação à maturidade, de modo que as pessoas possam repensar o significado dessa etapa da vida”, diz Ciro Mortella, diretor de Assuntos Corporativos da Pfizer. “Vale lembrar que o envelhecimento representa uma conquista da sociedade, pois é resultado dos avanços na prevenção e no tratamento das doenças. O desafio, agora, é conscientizar cada um a assumir um papel ativo nesse processo para preservar sua saúde ao longo dos anos, de forma que seja possível aproveitar cada fase da vida com plenitude”, complementa.

Brasil grisalho
A proximidade do Dia Internacional do Idoso, comemorado em 1º de outubro, se apresenta como mais uma oportunidade de discutir o acelerado processo de envelhecimento pelo qual vem passando a sociedade brasileira, como demonstram os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nesse cenário, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que, em 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em números de idosos, que deverão somar 32 milhões de pessoas.

De 1960 a 2000, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais subiu de 4,7% para 8,5% no Brasil. O Censo Demográfico de 2010 já apontava que os indivíduos nessa faixa etária representavam 10,8% da população naquele ano, o equivalente a 20,5 milhões de pessoas. Agora, o IBGE estima que, até 2050, o contingente de idosos chegue a 66,5 milhões, abrangendo 29,3% da população. Assim, em 2030 é esperada uma verdadeira inversão no perfil populacional brasileiro, uma vez que o número de idosos deve ultrapassar o total de menores de 14 anos.

Em toda a América Latina, de modo geral, o processo de envelhecimento populacional também vem se destacando nos últimos anos, como resultado do desenvolvimento econômico e social da região. Assim, de acordo com estimativas do Centro Latinoamericano Y Caribeño de Demografía (Celade), dentro de 40 anos a parcela dos idosos deverá representar 25,5% da população latino-americana, o que corresponde a mais de 180 milhões de indivíduos.