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Os riscos do isolamento provocado pela pandemia

Gilberto: A interação social com familiares e amigos é fundamental para o nosso bem estar

Em meio à pandemia do coronavírus, o isolamento foi adotado como principal estratégia para limitar a disseminação da doença. Entretanto, o diretor médico da Med-Rio Check-up e especialista em medicina preventiva, Gilberto Ururahy, alerta que a mudança de rotina, bem como o afastamento de contato com familiares e amigos, propicia um cenário para incidência de outras enfermidades.

Gilberto observa que a situação de isolamento pode ter consequências graves para o estado mental das pessoas. Ele cita como exemplo um levantamento feito pela própria Med-Rio com clientes que realizaram check-up e que registrou aumento no percentual de pessoas com estresse e ansiedade. A pesquisa constatou crescimento de 65% para 87% entre os clientes com estresse, e o percentual dos que sofrem de ansiedade passou de 18% para 36%. “Para quem já sofre de depressão ou outras doenças, o isolamento social pode até agravar a situação. Então, nesses casos, a atenção da família deve ser redobrada”, orienta.

Ele destaca o efeito nos jovens, que viram suas rotinas mudarem abruptamente. Atividades normais e que são a base do dia a dia deles, como ir à escola ou sair com os amigos, simplesmente deixou de existir sem que houvesse uma forma de prepará-los para isso. “Para aquela pessoa que estava sempre fora de casa, é um desafio ficar presa em um espaço limitado, sem ter outras alternativas”, relata.

O diretor médico da Med-Rio explica que o homem é um ser sociável, então o ato de estar junto da família, amigos e colegas é um fator imprescindível para a saúde. “Na verdade, é fundamental para o nosso bem estar esse convívio”, afirma Gilberto, que ainda observa que o uso de plataformas virtuais ameniza um pouco essa situação, mas não consegue substituir a necessidade de estar junto de quem se gosta.

Mas a quebra da rotina ainda traz outras preocupações. Gilberto vem notando que as pessoas estão relaxando em relação à prática de atividades físicas. “Ainda mais no Rio de Janeiro, onde o carioca está acostumado a fazer a sua corrida ou caminhada na orla, muitos estão encontrando dificuldade de substituir isso por exercícios em suas residências”, conta. Porém, o exercício físico regular é um dos principais aliados para combater a obesidade e outras doenças crônicas como a hipertensão.

O temor do diretor da Med-Rio é que, se o isolamento persistir por muito tempo, o país corre o risco de ter uma disparada de incidência de doenças crônicas. Ele cita também como exemplos a diabetes e o colesterol. “A questão é ainda mais preocupante, pois essas doenças crônicas são fatores de risco de outras enfermidades, como infarto e o AVC. Assim, entraremos em um ciclo vicioso, pois o aumento de doenças crônicas vai elevar a ocorrência de situações mais graves”, projeta.

Dados do Ministério da Saúde já alertam que a incidência de doenças crônicas é um problema de saúde nacional, antes mesmo da crise do coronavírus. Nos últimos 13 anos, o percentual de obesos no país passou de 11,8% para 20,3%. No mesmo período, a prevalência de diabetes passou de 5,5% para 7,4% e a hipertensão arterial subiu de 22,6% para 24,5%.

A tendência, avalia Gilberto, é que esses números aumentem com o isolamento. E o esforço deve ser justamente pelo contrário, pois já se sabe que pessoas com a saúde em dia e sem comorbidades têm menor chance de desenvolver o coronavírus em seu estado mais grave.  “Então, além da atenção à higiene pessoal, é preciso fortalecer o corpo e a mente”, afirma. É preciso seguir um estilo de vida saudável, que passa por uma alimentação equilibrada, que reduza o consumo de sal e açúcar, mas que inclua uma variedade de frutas e vegetais, alimentos ricos em ômega 3; pela prática de exercícios físicos e por ter um sono adequado.

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